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Hoje acordei gemendo baixinho, naquela manha gostosa que conhece bem. Me joguei para o outro lado cama, louca para encontrar você. E foi assim que comecei mais um dia chorando.

O dia que passa preciso compartilhar, e começo um email, disco seu número e termino a ligação que nunca existiu.

Resta esvrever. E me pego, mais uma vez, inspirada no vazio que restou de você.

(se)

Reencontra.

Reconhece a dor e remove a ferida.

Redescobre.

Reacende o devaneio.

Realiza…

 

E ri.

Vá.

Me deixe com a dor que há tanto está aqui e se tornou parte de mim.

Leve seus trejeitos e desacertos enquanto limpo os estilhaços do amor de vidro que espatifou no caminho.

Deixe minha sala livre e não olhe para atrás.

Se não resistir, espie, mas cuidado: será tarde demais para se arrepender…

Reticências

Viver longe de mim de repente é um alívio para vc. Se arrepende de ter me conhecido.

Não falamos, não queremos. Não somamos.
Nao fazemos diferença alguma.

Acontece que o mundo não vai parar de girar para que a gente perceba que tudo ao nosso redor se move.

O amor foi embora, mas nos encontrará na próxima esquina. E, quando esse dia chegar, o único arrependimento será o de não ter me vivido enquanto ainda me conhecia.

Não foi

Já não me lembro do momento em que nos perdemos para viver a sombra do outro,
Muito menos quando esta fez do compromisso um fardo injusto demais pra se carregar.

Tentamos, desistimos, insistimos… voltamos ao mesmo lugar.

E por tudo e por tanto,
Talvez pudesse ter sido.

O som da voz que não escuto me chama no meio dia pra me lembrar que ela existe.
O som do silêncio faz o estômago doer, faz a dor da ausência falar, bem baixinho…
O diálogo imaginário interrompe meu jantar e me faz contar como foi meu dia. Para as cadeiras, para os gatos, e para o que mais eu julgar me dispensar atenção.
Ao escrever o desabafo se torna um som, que de tão alto abafa sua voz que não ouvi.
Então, começo a falar como você e usar suas piadas que nunca entendi e de repente você está aqui, e eu não estou mais falando com as cadeiras.

Por muito tempo você foi meu herói. Aquele que me salvaria do perigo, me daria conselhos, e me ajudaria a sair escondido dos meus pais.

Por muito tempo quis ser como você. Me tornei amiga dos seus amigos, passei a frequentar seu mundo, só para ter um motivo que me mantivesse por perto.

Mas por alguma razão, você sempre me mandava de volta para casa. Sozinha. Sem heróis ou exemplos, apenas com o coração partido e mais uma tentativa fracassada.

Eu fui a caçula. Daquelas que copia os trejeitos, como a menina que veste as roupas da mãe. Eu precisei de colo, de compreensão, de força. Precisava de você.

Passei por tudo sozinha, e hoje sou sou só a adulta. Da irmã mais nova, só restou a diferença de idade, que já não importa. No seu mundo, a fraternidade nunca existiu. E, nesse mundo de gente grande, eu escolho não compartihar seu jeito torto de amar.

Eu não tenho nada a perder, mas é tarde demais para nós dois.

Claro que ia ser mais difícil.
Com o fim da sexta começam os dois dias que podemos ficar na cama até mais tarde, ou sequer sair dela. E fazer o que quiser até hora que bem entender, ou não fazer nada. Só ficar ali, quentinho, até mais tarde.
Saudade…

- Se quiser me agradar, favor dizer que emagreci quando me reencontrar.
- Ok.
- Quer dizer, fala a verdade.
- Ok.
- Só não pode falar que engordei. Ou to igual ou to mais magra.
- Hum… ok.
- É porque acho que emagreci mesmo.
- Deve estar linda.
- Se bem que, ontem eu fui provar uma roupa…
- Já sei: vamos poupar tudo isso. Puxa, como você emagreceu! Tá linda!
- ¬¬
-Beijo, até semana que vem :)

-

Na cama cabem dois. Travesseiro só tem um.
A respiração que me cobre, seguida do abraço e o beijo de boa noite hoje é a manta rosa. Ou aquele enrolar de pernas e edredom e guerra de pés quentinhos e um afago no pescoço, que arrepia o corpo, o lençol da cama, o criado-mudo e as janelas.
E está tudo no seu lugar. Os dois travesseiros, com fronhas iguais, que devem combinar com a manta rosa que deveria ser preta. Que não deveria estar sozinha essa noite.

[acho que vou sentir falta até dos chutes de sono.]

Boa noite, amor.

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