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Claro que ia ser mais difícil.
Com o fim da sexta começam os dois dias que podemos ficar na cama até mais tarde, ou sequer sair dela. E fazer o que quiser até hora que bem entender, ou não fazer nada. Só ficar ali, quentinho, até mais tarde.
Saudade…

- Se quiser me agradar, favor dizer que emagreci quando me reencontrar.
- Ok.
- Quer dizer, fala a verdade.
- Ok.
- Só não pode falar que engordei. Ou to igual ou to mais magra.
- Hum… ok.
- É porque acho que emagreci mesmo.
- Deve estar linda.
- Se bem que, ontem eu fui provar uma roupa…
- Já sei: vamos poupar tudo isso. Puxa, como você emagreceu! Tá linda!
- ¬¬
-Beijo, até semana que vem :)

-

Na cama cabem dois. Travesseiro só tem um.
A respiração que me cobre, seguida do abraço e o beijo de boa noite hoje é a manta rosa. Ou aquele enrolar de pernas e edredom e guerra de pés quentinhos e um afago no pescoço, que arrepia o corpo, o lençol da cama, o criado-mudo e as janelas.
E está tudo no seu lugar. Os dois travesseiros, com fronhas iguais, que devem combinar com a manta rosa que deveria ser preta. Que não deveria estar sozinha essa noite.

[acho que vou sentir falta até dos chutes de sono.]

Boa noite, amor.

- Engraçado como as coisas ficaram mais leves no momento que decidi ir embora. Será que é a tal balela do “valorizar quando perder” fazendo sentido?
- Não não. É a gente se dando conta que existe coisas mais importantes pra perder tempo nessa vida.
- Pena essa conclusão vir tarde demais…
- Só será tarde demais quando você deixar de existir dentro de mim. E eu não quero.
- Nem eu. Melhor lugar pra se viver.
- Boa noite.
- Bom filme.

- Sabe, tá tudo errado. Eu nem lembro mais o que vim fazer aqui.
- Sabe sim. Era mais fácil. Era o que devíamos fazer. Só não era amor.
- Na verdade, o amor foi tanto que foi preciso mais cômodos para ele respirar.
- Pode ser que sim. Talvez com menos canecas e copos, ele caberia.
- Vamos ser felizes assim?
- Sempre.
- Compartilharemos essa felicidade?
- E por que não compartilharíamos?
- Porque pra isso deveríamos estar juntos.
- Então já não sei…
- Nem eu.
-Boa sorte.
- Pra você também.

Ao final de cada ano, sempre rola o momento de refletir, pensar no que foi bom, no que não foi, e no quanto tudo será diferente no próximo ano – e que acaba não sendo.

Em 2009, eu pedi um próximo ano intenso. Só não imaginei que seria tanto.

Dizem que 25 é um marco, pelo amadurecimento e início de algumas coisas – carreira profissional, relacionamento, etc. Meus 25 anos foram marcados por tudo e mais um pouco.

Foi em 2010 que saí do país pela primeira vez. E quando voltei, saí de novo.  Novamente de volta, decidi, enfim, que mudaria minha vida profissional. O baque foi tamanho que o resultado foi seis meses de desemprego, para voltar com um salário duas vezes menor. E encontrei tantas coisas e pessoas diferentes que não sei como sobrevivi.

Foi neste mesmo ano que pude ver meus maiores ídolos, chorar de emoção e gritar até a garganta rasgar.

E foi no final de 2010 que resolvi trazer um relacionamento de quatro anos para viver sob o mesmo teto. E, pra deixar tudo ainda mais fácil, resolvi trocar de emprego na mesma semana. E não para algo que eu já começava a ter experiência, mas um setor novo, em um segmento novo, no meio de tudo aquilo que ainda não sei. Só pelo prazer de começar tudo de novo.

Com todas essas mudanças, finalmente aprendi a amar meus pais, e agradecer pela maneira torta que eles têm em me amar – mas que, de alguma maneira, sei que é exatamente assim que deve ser.

Muitas pessoas surgiram, outras tantas se foram, e o rastro que deixam é que todas, em algum momento, foram inevitavelmente incríveis.

Foi o ano que coloquei toda a força que não sabia possuir pra fora. E não foi pelo medo de morrer em um terremoto. Na verdade, ao chegar ao final deste ano, esse episódio foi o mais fácil.

Foi o momento de encontrar a fé. No que, ainda não sei.

Foram erros, acertos, deslizes e descuidos. Estava tão preocupada em encontrar o rumo que acabei esquecendo de mim. Não me cuidei, engordei, deprimi… E levantei.

Achei que o baque de tudo viria na primeira semana de dezembro. Veio na terceira. Depois de horas intermináveis de lágrimas e um desabafo no papel, surge um sorriso, um desejo familiar. Assim como no ano anterior e neste que já é passado, que o próximo seja assim, igualmente intenso.

Travesseiro

São 10 horas. Ou 11. É um sábado, pelo que lembro. Tempo não existe ao acordar ali.

E espaço. Tudo é um. Seu corpo minha cama, seu braço meu travesseiro.

- Tô com frio.

- Eu tô com calor. Mas vem cá.

E, enquanto me encaixo no seu abraço e me cubro com sua perna, você geme baixinho, acordando. E respira. E afaga.

E é assim que tenho a certeza que tudo ficará bem.

Bom dia, amor.

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